Temos agendado, na região de Curitiba, o 2ª Encontro de Agricultura Biodinâmica, a ser realizado no CPRA (manhã) e no Sítio Terra Graciosa (tarde).
Neste evento gratuito, temos a intenção de fortalecer as práticas e estudos deste modelo agrícola.
Na parte da manhã está previsto um café da manhã. Por favor, queira confirma em quais etapas irá participar.
DATA
Segunda, 15 de Agosto de 2016
PROGRAMAÇÃO
Período da Manhã - Local: CPRA
09h00 - 09h15: Acolhida e dinâmica de grupo 09h15 - 11h00: Estudo de Agricultura Biodinâmica: leitura de texto sobre "Fenomenologia" e debates 11h00 - 12h00: Assuntos Gerais
Período da Tarde - Local: Sítio Terra Graciosa
12h00 - 14h00: Almoço* 14h00 - 15h30: Exercício prático de campo 15h30 - 16h00: Conclusões e Encerramento
*O almoço será oferecido pela Ana, cujo valor deve ficar entre R$ 15 a R$ 25 por pessoa
De
acordo com o último Censo Agropecuário, realizado pelo Instituto
Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) em 2006, 84,4% dos
estabelecimentos agropecuários do país são da agricultura familiar — o
que, em termos numéricos, representa 4,36 milhões de estabelecimentos.
Apesar
da importância da agricultura familiar para o país, assegurada por lei
na Constituição Federal, as políticas públicas adotadas ainda
privilegiam os latifundiários: segundo dados do Ministério da
Agricultura (2016), estima-se que neste ano, R$ 187,7 bilhões foram
destinados à agricultura empresarial, enquanto apenas R$ 28,9 bilhões
foram para os agricultores familiares.
Uma
estrutura como essa abre margem para iniciativas civis em torno da
agricultura familiar e de questões envolvendo a sustentabilidade e a
agroecologia — como por exemplo, a Comunidade que Sustenta a Agricultura
(CSA).
O que é a CSA
A
ideia de comunidade que sustenta a agricultura surgiu no Japão, na
década de 1960, a partir da filosofia de que o produto tem que ter a
cara do produtor. Nos anos 1980, os Estados Unidos fizeram adaptações
nesse modelo de agricultura, que logo foi se espalhando em diversos
países com a iniciativa CSA.
O
agricultor deixa de vender seus produtos através de intermediários,
como mercados, e passa a contar com a organização e o financiamento
coletivo de sua produção por meio da participação de membros
consumidores. O grupo de pessoas paga uma mensalidade fixa aos
agricultores, que recebem para fazer a manutenção de suas fazendas e
fornecer uma cota de produtos orgânicos sazonais semanalmente para os
associados.
Todos
os custos de marketing são eliminados e a mensalidade é discutida
anualmente em assembleia com todos os membros, levando em conta as
necessidades do agricultor, sem a interferência dos valores do mercado
convencional. Isso faz com que os produtos tenham preço reduzido, além
de alterar a lógica mercantil e trazer uma relação mais intimista entre
produtor e consumidor.
“O
foco é no agricultor. Nós buscamos criar um vínculo entre as famílias e
os agricultores, de forma a gerar um elo de confiança”, diz Raquel
Makibara, co-fundadora da CSA em Curitiba.
A
organização não-governamental chegou ao Brasil no final de 2014, e hoje
conta com mais de 60 iniciativas em sete estados. Em Curitiba, a CSA
existe desde julho de 2015 e possui 4 pontos de coleta espalhados pela
cidade. O mais antigo se localiza na Escola Waldorf Turmalina, no bairro
Campo Comprido — lá, os produtos são distribuídos independentemente
entre os membros da comunidade, que pagam R$ 188,20 mensais para buscar
os alimentos semanalmente.
Toda
segunda-feira são disponibilizadas duas cotas: duas listas com sete
tipos de alimento diferentes que podem ser escolhidos a partir da
quantidade dividida igualmente entre todos os membros. Os produtos são
entregues na escola e vêm direto do agricultor. “A CSA trabalha como uma
escultura social a partir dos princípios de transparência,
responsabilidade e colaboração. O que os produtores e coprodutores fazem
é um modo de agricultura livre, que realmente se transforma em uma obra
de arte”, conta o fundador da CSA em Curitiba André Garcia.
Colaboração mútua
Um
dos pilares do modelo de agricultura proposto pela CSA é o da
colaboração mútua. A responsabilidade pela produção dos alimentos e pela
preservação ambiental é compartilhada entre produtores e consumidores,
transformando a vivência e as decisões sobre o cultivo da terra em um
ensaio para o coletivo. Assim, a própria comunidade da CSA deixa de ser
apenas um agente de consumo, tornando-se coprodutora (ou
co-agricultora).
A
especialista em direito socioambiental Flávia Sotto Maior sabe bem como
é essa experiência. Ela participa da CSA há quase um ano e enfatiza a
importância do senso de comunidade que o projeto traz — pretende,
inclusive, implantar um posto de coleta no seu prédio, no bairro Cabral.
“Tenho muitos vizinhos idosos que vão adorar a ideia de não precisar de
tanta locomoção para garantir alimentos frescos e de qualidade. É assim
que nós fazemos crescer o debate quanto à agroecologia aqui em
Curitiba, principalmente em relação a uma questão tão relevante como o
ciclo do alimento”, relata Flávia.
Dias de campo
A
CSA também trouxe a proposta de realizar, uma vez por mês, uma visita
às fazendas onde são produzidos os alimentos vendidos nos pontos de
coleta. A ideia é fazer com que o coprodutor acompanhe a produção em uma
filosofia de autogestão — participando do processo de cultivo e
colheita, adultos e crianças conhecem de perto o dia a dia dos sítios e
se sentem mais próximos do agricultor. O produtor Carlos Roberto
Kmiecik, mais conhecido como Carlinhos, é dono do Sítio São Carlos, em
Campo Magro e fornece para o ponto de coleta na Escola Turmalina. “É
sempre uma experiência nova e muito legal. Também trabalho em feiras
orgânicas em Curitiba, mas consigo tirar 40% da minha renda com a CSA”,
diz Carlinhos.
O que fazer para participar?
Hoje,
a CSA conta com quatro pontos de coleta em Curitiba: a Escola
Turmalina, no bairro Campo Comprido; uma casinha no Jardim Ambiental, no
Alto da XV; o Condomínio Giardino di Lucca, em Santa Felicidade; e a
escola Cordão Dourado, no Pilarzinho. O mais recomendado é que os
membros façam a coleta dos alimentos no ponto mais próximo de onde eles
moram.
Para
realizar o cadastro na CSA, conseguir maiores informações e consultar o
preço e a quantidade de cotas desejadas, é só enviar um e-mail para o
núcleo de Curitiba: curitibacsa@gmail.com