domingo, 14 de fevereiro de 2016

RELATO SOBRE O III ENCONTRO PEDAGOGIA E AGRICULTURA

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“Como criar um Entorno Educativo no campo e na cidade?”
 Por  Carlos Lira
Em seu caminho de desenvolvimento o homem se retirou da natureza para poder desenvolver suas capacidades cognitivas. Chamamos estas capacidades: concentração ou pensar. Passamos então a nos perceber como separados do mundo, aqui estou eu e lá está meu entorno, o mundo. Dentro da educação, por exemplo, isto se evidência na separação das disciplinas, vemos ali o mundo fatiado e dividido em gavetas. Nos acostumamos a pensar e entender o mundo de maneira morta, pois qualquer membro, qualquer parte que seja separada de um todo, tende a morrer. No entanto a verdade é que não há separação, pois tudo que vive fora vive em mim. Em mim vive o mundo mineral, com todas as suas formas, estruturas e elementos. Em mim vive o reino vegetal, com todo o seu ritmo e processos vitais. Em mim vive o reino animal, com todos os seus impulsos e desejos.
Como (re)vivificar então nossos pensamentos, nossa vitalidade e sentimentos, e nosso querer?
"Durante toda a história os artistas sempre representaram o ser humano com os mais diversos tipos de materiais, pedra, madeira, palha de milho. Hoje chegamos a uma época na qual o próprio ser humano pode ser trabalhado -trabalhar em si-, modelado, formado. Uma grande ferramenta para isto é a escuta. Ouvir o outro, ouvir a natureza, ouvir as crianças. O quê o mundo me pede e diz?" (Marit Scheibe)
"Queremos com o CSA mais do que nos aproximarmos para as diversas trocas. Queremos romper e ir além do preço, queremos chegar no apreço, mudando o valor das relações." (Wagner Santos)
" Os membros são o que há de mais espiritual no ser humano. O espírito dos membros precisa despertar o espírito da cabeça.
Na cabeça a criança pequena dorme, ao mesmo tempo em que ela vive nos membros, que estão despertos e em plena atividade, no entanto sem consciência. Esta consciência precisa ser despertada gradativamente, por meio dos sentidos e de atividades com sentido até a idade adulta, e depois por toda a vida. A criança vê, mas não sabe o quê vê. Ela pega, mas não sabe o que isto significa.
Entre estes dois polos, está o sentir, que é um grande mistério, pois ele no fundo me traz a sensação - O que vive lá fora, vive também em mim." (Peter Guttenhöfer)
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Palestras, fóruns de trabalho e discussão, exercícios. Apresentação das iniciativas de CSA, Educação e Terapia, tudo isto permeou estes três dias de encontro.
Não se trata de desmerecer, desfazer ou modificar o que existe, pelo contrário, precisamos ser gratos, pois isto faz parte do caminho de desenvolvimento da humanidade. Mas é preciso vontade e coragem para se religar àquilo que perdemos de vista, agora de forma consciente, ouvindo o que a natureza nos pede. É preciso ir adiante em um novo caminho, que precisa ser criado. Precisamos avançar, e isto levará tempo, da sexta feira santa em direção ao domingo de páscoa.
 
 
Fonte: https://www.facebook.com/notes/carlos-lira-trabambu/iii-encontro-pedagogia-e-agricultura-como-criar-um-entorno-educativo-no-campo-e-/747968855336884

Relato do I Encontro de Rede CSA Brasil 2016

I Encontro de Rede CSA Brasil 2016
23 e 24 janeiro – EMEF Desembargador Amorin Lima – Butantã


Dia 23 – sábado

CSA e pesquisa acadêmica

- CSA Boituva e Tatuí – Kelly Cristina Bombem
Mapeamento das famílias: quem são? Nível socio-econômico, escolar?  O que buscam na CSA?
Análise dos perfis.
Contam com 38 coprodutores
Foco: cuidar do agricultor.

-CSA São Carlos – Flávia Torunsky e agricultora Dina
http://www.csasaocarlos.com.br/
POSSIBILIDADES INCALCULÁVEIS
Desde 2013. Começou com 33 coprodutores.
Hoje - 60 coprodutores + 16 bolsistas = 76 famílias
Cota solidária: paga quem pode
Moeda social: bolsista trabalha na roça 4 horas por semana: recebe uma cota por mês.
Construíram uma câmara para manutenção da temperatura, de pau-a-pique, sem maquinário. Tecnologia antiga e de baixíssimo custo.

Dina deu um depoimento emocionada, pois segundo ela, os coprodutores estavam garantindo o cuidado na lavoura para que ela estivesse presente nesse encontro no fim de semana.

-CSA ABC – agricultura urbana no ABC – Victor Dimitrrov
Agricultura urbana no ABC, Santo André e o processo de transição agroecológica das hortas urbanas.
Iniciou com uma Cooperativa de Compras Coletivas, com quase 1000 famílias. Contam com 150 variedades de hortaliças.


CSA e empreendedorismo social

-CSA Brasília – Renata Navega
Desde março 2015
3 CSA em Brasília: CSA Barbetta, CSA Altiplano e CSA Toca da Coruja.
Equipe de apoio estruturada. Não têm interesse em crescimento rápido. Revezamento na coordenação de 6 meses. Todos voluntários.

-CSA Belo Horizonte – Júlio Cesar Bernardes
Desde janeiro 2015 - 34 coprodutores 180 pessoas na lista de espera
Teve uma procura muito grande, porém sem muita estrutura operacional.
Comunicação/divulgação principalmente pela internet.

-CSA Rio de Janeiro – Vitor Piranda e Eduardo Boorhen (Clube Orgânico)
Desde abril 2015 – 280 coprodutores 2 produtores
Pessoal de apoio recebe uma remuneração
Estruturado em Consultoria agrícola, vendas, marketing, logística e relacionamento com “clientes”.


CSA e agricultura e pedagogia

-CSA Micael SP – Rogério e Maria Cristina Produtora e mãe
Desde 2014 dentro da comunidade escolar – Colégio Waldorf Micael de SP. Desenvolve atividades em conjunto com os professores. Visitas não regulares.

-CSA Curitiba – André Garcia e Raquel Makibara
Desde julho 2015 – 3 agricultores e 20 famílias.
Em dezembro 2015 – foi desmembrado em 2 CSAs: CSA Sítio São Carlos – comunidade escolar Turmalina, com aproximadamente 40 coprodutores e CSA Terra Viva Verde Orgânico, com aproximadamente 40 coprodutores de 3 pontos de distribuição nos bairros da Água Verde, Jardim Ambiental e Santa Felicidade.

-CSA Demétria -  Carlos Lira
Desde 2012 – 400 famílias localizadas em Botucatu, Bauru, Ourinhos e São Paulo.


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O almoço/jantar foi servido em um ponto de encontro chamado Piparia, localizado no mesmo bairro. O valor da contribuição variava de R$ 18,00 a R$ 25,00/pessoa.


Cada pessoa contribuiu voluntariamente com o que pudesse e também era convidado a auxiliar na limpeza. A ideia é que cada um, pelo menos, lavasse seu prato e talheres.




Dia 24 – domingo


No domingo começamos com a Palestra do Hermann Polhmann. Hermann contou sua trajetória no Brasil e como foi árdua a sua busca pelo começo de uma CSA. Depois de um ano procurando o agricultor que aceitasse a proposta, finalmente encontrou com o Marcelo, no bairro da Demétria, 
em Botucatu, São Paulo. Existia muita empolgação e pouco compromisso entre os interessados em potencial. A CSA foi crescendo e logo haviam outros depósitos de alimentos, como Ourinhos e Bauru. Mais tarde e depois muitos encontros, Vagner Santos aceitou o convite 
para cuidar da parte financeira da CSA Demétria, em Bauru.

Eles dois falaram do I Encontro Internacional  de CSA’s na China. Lá existem 20 milhões de membros em CSA. Neste evento percebeu-se que no Brasil o enfoque é mais na pessoa do agricultor e que há mais proximidade com a ideia de Economia Associativa, 
fruto da Antropologia Antroposófica.
 O próximo encontro Internacional de CSA’s acontecerá em 2018.

Com a rápida expansão das CSAs, hoje se vê a necessidade de se formar formadores de CSA. 
Para isso se foi estruturado um curso que terá o seu início em 2017. 
Será em caráter Latu Sensu, com 360 horas, 
em sete semanas, totalizando 18 meses de duração.

Depois tivemos uma apresentação da psicoterapeuta Raquel Wrona, 
“Comunidade e abordagem Centrada na Pessoa”. 
Trouxe abordagem de diversos autores que tratam dos estudo das conexões sociais. 
 Comunidades se formam a partir da Empatia e da Aceitação entre as pessoas. 
Construir uma comunidade é um atributo do coração. 
Ela trouxe também um poema de Clarice Lispector, que colocamos abaixo.

Fizemos uma dinâmica de grupos para se tecer uma rede CSA 
e ficar visível os personagens principais trazidos por cada grupo. 
Agricultor, Coagricultores, Rede CSA, Comunicação, Estrutura física, 
Equipe de apoio foram um dos nomes citados. 
Sendo evidente a importância da correlação entre todos esses personagens.




Submissão ao Processo

“O processo de viver é feito de erros – a maioria essenciais –

de coragem e preguiça, desespero e esperança de vegetativa atenção,

de sentimento constante (não pensamento) que não conduz a nada,

não conduz nada,

e de repente aquilo que se pensou que era “nada”

- era o próprio assustador contato com a tessitura do viver –

e esse instante de reconhecimento (igual a uma revelação)

precisa ser recebido com a maior inocência, com a inocência de que se é feito.

O processo é difícil?

Mas como chamar de difícil o modo extremamente caprichoso e natural como uma flor é feita.”

"Submissão ao processo", crônica publicada em 20.01.73. In:"A descoberta do mundo"
Clarice Lispector